Pensamentos, fragmentos de vida, orbitar na imensidão dos sentimentos e nas divagações sutís, nas lembranças, no mundo mágico das sensações, na beleza e angústia da vivência feminina através da escrita, da fotografia, da notícia!
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terça-feira, 12 de junho de 2012
Dia dos Namorados
Como não existe "dia dos solteiros" h oje mesmo que saúdo a data comemorativa do AMOR na forma "enamorada". Sim, continuo só mas nem por isto infeliz! Como cantou o "Rei", o importante é viver as emoções nos encontros e desencontros da caminhada sem medo da entrega: "se chorei ou se sofri, o importante é que emoçoes eu vivi!" E continuarei vivendo porque as lágrimas me fazem humana, inteira e viva tanto quanto os sorrisos. Nos arranhões no coração consigo curativos colar, nos cortes maiores suturo e espero cicatrizar. Dói? Sim, mas de toda sorte amei e fui amada e sei o valor e a grandeza deste acrésimo. Dei e recebi. Assim, sem mágoas e praticando o perdão hoje agradeço as oportunidades e todas as "coisas do coração" vividas e aos que nele tocaram deixando um pouco de si e levando um pouco de mim. E continuo enamorada pela troca, pelo abraço caloroso, pelo beijo gostoso, pela carícia sincera, pelas mãos dadas, pelas conversas cúmplices, pelo afeto do olhar, pelo calor no coração, pelo companheirismo...
Amargura: Jamais!
terça-feira, 22 de maio de 2012
VENEZIA SIN TI CHARLES AZNAVOUR
PARABÉNS AZNAVOUR pelos teus lindos 88 anos de idade e grata por esta canção que embalou meu coração pelos canais de Veneza (2007) como por certo inspiraram o teu em melanólico e mágico momento de ausência de um amor que ficou para trás. Também eu, admirada, encantada, enamorada pela visão romântica, de extrema beleza de todas as brechas e passagens me inundei do mesmo sentimento triste que fez molhar o meu olhar...
Que c'est triste Venise
Tão triste é Veneza
Au temps des amours mortes
Nos tempos de amores e mortes
Que c'est triste Venise
Tão triste é Veneza
Quand on ne s'aime plus
Quando as pessoas não se gostam mais
On cherche encore des mots
As pessoas tentam conversar mais
Mais l'ennui les emporte
Mas o sonho lhes põe pra fora
On voudrais bien pleurer
As pessoas gostariam de chorar
Mais on ne le peut plus
Mas as pessoas não são mais capazes disto
Que c'est triste Venise
Tão triste é Veneza
Lorsque les barcarolles
Quando o Barcarolles(Pessoa que conduz a Gôndola)rsrs.
Ne viennent souligner
Não vem encantar
Que des silences creux
Que quebra o silêncio
Et que le coeur se serre
E que o coração se aperta
En voyant les gondoles
Enquanto vejo as gôndolas
Abriter le bonheur
Desperta a felicidade
Des couples amoureux
Dos casais apaixonados
Que c'est triste Venise
Tão triste é Veneza
Au temps des amours mortes
Nos tempos de amores e mortes
Que c'est triste Venise
Tão triste é Veneza
Quand on ne s'aime plus
Quando as pessoas não se gostam mais
Les musées, les églises
Os museus,as igrejas
Ouvrent en vain leurs portes
Abrem as portas delas em vão
Inutile beauté
Beleza inútil
Devant nos yeux déçus
Antes que nossos olhos olhassem
Que c'est triste Venise
Tõ triste é Veneza
Le soir sur la lagune
Na noite na laguna
Quand on cherche une main
Quando as pessoas procuram uma mão
Que l'on ne vous tend pas
Aquela que não se estende
Et que l'on ironise
E aquele satiriza
Devant le clair de lune
Antes do luar
Pour tenter d'oublier
Tenta esquecer
Ce qu'on ne se dit pas
Que a pessoa não se diz
Adieu tout les pigeons
Adeus a todos os pombos
Qui nous ont fait escorte
Que nos fez perseguir
Adieu Pont des Soupirs
Adeus a ponte dos suspiros
Adieu rêves perdus
Adeus, perdi meus sonhos
C'est trop triste Venise
É uma Veneza muito triste
Au temps des amours mortes
Nos tempos de amores e mortes
C'est trop triste Venise
É uma Veneza muito triste
Quand on ne s'aime plus
Quando as pessoas não se gostam mais
quinta-feira, 3 de maio de 2012
AINDA...
Outro dia assisti à apresentação do Roberto Carlos feita em Jerusalém, via DVD. Desde o casamento de meu filho tais canções meigas e românticas não me vieram aos ouvidos ao à mente.
E então me deparei surpresa com algo semelhante à coinscidência: quase todas se encaixavam ao meu estado de espírito e com os sentimentos de minha história de vida. Vida que foi! Vida que vem e que retorna! Veio a saudades mesclada com a matiz amarga da frustração. São coisas do coração feminino. E ele parece não querer amadurecer. Teimoso sempre se degladiando feroz com a razão! Querendo o que não mais pode ter, o que não tem mais jeito de ser, o que marcou em brasa, cicatrizou e por vezes volta a queimar...
Em tom humorado meu filho falou em outro contexto: "mãe, as mulheres são todas loucas". E é assim que tem sido: uma loucura velada, contida, insistente...
Na mente continua assim o Roberto:
"Um dia você falou que me amava tanto
Que sempre enxugaria o meu pranto
E agora eu choro só
Sem ter você aqui!"
E então me deparei surpresa com algo semelhante à coinscidência: quase todas se encaixavam ao meu estado de espírito e com os sentimentos de minha história de vida. Vida que foi! Vida que vem e que retorna! Veio a saudades mesclada com a matiz amarga da frustração. São coisas do coração feminino. E ele parece não querer amadurecer. Teimoso sempre se degladiando feroz com a razão! Querendo o que não mais pode ter, o que não tem mais jeito de ser, o que marcou em brasa, cicatrizou e por vezes volta a queimar...
Em tom humorado meu filho falou em outro contexto: "mãe, as mulheres são todas loucas". E é assim que tem sido: uma loucura velada, contida, insistente...
Na mente continua assim o Roberto:
"Um dia você falou que me amava tanto
Que sempre enxugaria o meu pranto
E agora eu choro só
Sem ter você aqui!"
quinta-feira, 29 de março de 2012
Espelho
E do nada o espelho me avisa sem dó: o tempo passou!
E sempre o coração me diz inocente: ainda há amor!
E vejo assim as marcas do tempo por fora
E lá dentro sou a mesma, sinto igual ou mais!
Liana Fabricio
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
BALANÇO...
Outro Ano finaliza marcando o tempo
Tempo que passa a passos largos
Passos que trilharam alguns caminhos desconhecidos
Desconhecidos se fizeram grandes amigos
Amigos se abraçaram em despedida amarga
Despedida precoce de um menino-homem
Menino-homem me ensinando a desmistificar a morte
Morte e renascimento da fé e da fraternidade
Fraternidade a ser praticada o Ano todo
Todo o tempo é muito pouco pra tanto amor
Pouco se deu, muito se recebeu
Tudo outra vez
Vez de doar!
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Boa Sorte, eu já me Curei!
É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, Boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais, é pesado
Não há pazTudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas desleais
Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Vanessa da Mata e Ben Harper
Não tem mais jeito
Acabou, Boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais, é pesado
Não há pazTudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas desleais
Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Vanessa da Mata e Ben Harper
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Roberto Carlos e Luciano Pavarotti - O sole mio (1998)
PAVAROTI era grande em todos os sentidos...
Popularizou o canto lírico cantando com "seres normais"
Carisma, simpatia, genialidade
Saudades de Pavaroti!
domingo, 7 de agosto de 2011
O Perdão vem do Coração e da Sabedoria
Perdoar é difícil aos que nos magoam ou nos fazem sofrer. O perdão verdadeiro, não o "social", dificilmente ocorre de pronto! Ele brota da gradativa compreensão que a experiência de vida nos trás em relação à nossa condição humana. O entendimento de que somos todos iguais, cheios de limitações, anseios e finitos! E, principalmente, de que invariavelmente também magoamos e fazemos sofrer a outrem.
Para perdoar é preciso coragem para admitir nosso potencial natural de causar mal e sermos humildes para reconhecermos nossos próprios erros sem, porém, nos martirizarmos com culpas perpétuas arrastadas em "sacolas de pedras" por todo o caminho. Cada um faz o melhor que pode, com a bagagem que possui! Seja ela genética, social, cultural, psicológica, espiritual... Esta conciência nos proporciona tolerância e nos faz humanos.
Também é necessária boa dose de paciência. Queremos perdoar e nos perdoar, mas "não agora"! Há ressentimentos, ainda, dos quais conscientes ou inconscientemente nos negamos a descartar. A raiva e o medo precisam de tempo para serem processados. Tempo para dissipar o sentimento interno de vingança, esta vilã que só nos aprisiona e nos faz ficar rígidos. Tempo que faz cair no esquecimento a situação sem que deixe de passar pela mente, no entanto, o enfrentamento do ato de perdoar. Caso contrário, de forma ou outra a situação novamente se nos depara mais adiante. Como disse Martin Luther King Jr "o perdão não é um ato ocasional; é uma atitude permanente".
A gratidão e a compaixão que advem do coração de forma genuína também nos ensina a perdoar. Um monge zen chamado Ryokan escreveu há dois séculos passados: "A lua na minha janela, o ladrão a deixou ali". Suas poucas posses haviam sido roubadas, as coisas temporais, as que envelhecem ou se perdem. O eterno e valioso permanece (a lua).
domingo, 17 de julho de 2011
UM SONHO
Nos fundos do terreno do sítio há muitos anos se deu início à construção de uma casa. Não sei a razão: foi ela deixada de lado e outra, a atual, no centro da área foi belamente edificada. Em ruínas permaneceu a primeira, enorme, esquecida, úmida, misteriosa, tal como um fantasma acinzentado. Dela estranhamente ninguém falava, como se não existisse. Apenas eu por lá perambulava algumas vezes, com a intimidade e sintonia de proprietária, cheia de melancolia, este sentimento indefinível, muito próximo à saudade de estar triste.
Minha casa em ruínas: um de meus sonhos que de diferentes formas me surgem em raras noites há anos a fio. Estou com cinquenta e dois! (ai que falta me faz a trema). Esta noite ela me visitou novamente. Sábado para domingo de chuva. Eu estava cansada por ter dançado duas noites seguidas. Dormi até próximo às duas horas da tarde de um dia cinza. Tomei café e então lembrei em detalhes do sonho, talvez por ainda não tiver agitado a mente com qualquer assunto ou motivo e então, depois de tempos cogitando em escrever sobre algum e sem ter nada a fazer resolvi digitar.
“Caminhava sob o solo úmido e pedregoso com cuidado, desviando aqui e ali dos pedaços de madeira, ferro e pregos. Nesgas tímidas de sol iluminavam as peças amplas por entre as telhas quebradas e faltantes do telhado inacabado. Susto! Ao subir as escadas um pássaro em vôo rasante risca o ar e logo vejo o João, empilhando tijolos ao fundo do corredor. Havia alguns troncos de árvores e musgos por entre as pilhas. Cumprimenta-me sem se virar:
- E aí!
Não lembro o que falamos. Ele largou a tarefa e caminhamos juntos como se tivéssemos que ir a algum lugar e dei-me conta de que estávamos no longo e largo corredor de um hospital. Reclamei por ele andar sumido por tanto tempo, por não ter concluído a casa, por não mais me amar. No sonho eu ainda nutria por ele aquele sentimento antigo, pungente. Éramos jovens. As respostas eram lacônicas e indiferentes. Procurávamos uma sala onde eu deveria ter aulas. Olhei um papel que retirei do bolso da calça e descobri que eu ainda estava na faculdade (Deus! Nunca acaba!). Deitamos na rede de um jardim de inverno. Senti-me aquecida, sonolenta e triste. O pai, sentado em uma cadeira antiga de madeira escura e brilhante, igual a que havia na casa do vô Juca, em Bossoroca, avisou: - As luzes já vão apagar. È melhor vocês irem dormir...
Fiquei só na rede, me embalando ainda por instantes antes de retornar ao corredor do hospital, ainda buscava “processar” a nossa separação. Antes de procurar o elevador ainda saboreei a sensação do embalo (sempre amei me embalar). Só haviam dois elevadores e outras pessoas o esperavam também. Estávamos no térreo e havia reclamações pela demora. Hum, então eram muitos andares. Olhei em torno e descobri um local sofisticado, ricamente decorado, limpíssimo! Resolvi que não mais iria fazer o curso no dia seguinte pois o horário indicava apenas uma aula na manhã e assim seria difícil o João me dar carona de volta. Quando o elevador chegou fui a última a entrar, o que foi bem complicado. Entrei agachada e meu corpo não obedecia aos meus comandos cerebrais. Estava pesado e sequer consegui decidir qual era o meu andar. Não conseguia me mover a cada parada e lá fiquei até o último piso, sempre agachada. Quando a porta se abriu uma enfermeira me esperava, me estendeu a mão e outra me alcançou aquelas proteções brancas de pano para calçar após retirar os sapados. O local era lindo! Abria-se em forma de cone, todo azul claro, levando, ao fundo, a uma larga faixa de mar translúcido que rodeava uma pequena ilha no centro. Coqueiros balançavam ao vento suave. Lindo! Exclamei maravilhada: - é Mumbai! (absurdo, mar no deserto). Lembrei que lera em algum lugar notícia sobre a construção de um hospital majestoso, por um grupo poderoso, em que uma faixa de mar fora comprado por bilhões de dólares.
O formato de cone era em descida. Eu não conseguia caminhar e deslizava aos poucos no piso azul, tentando inutilmente me segurar na parede lateral, também azul. Pensei: que fotos espetaculares eu tiraria aqui! Cheguei rapidamente ao fundo, embasbacada com tanta beleza. Meus olhos não davam conta de tanto azul brilhante. Algumas pessoas se banhavam nuas, quase todas idosas e obesas. Felizes! Percebi então que um vidro enorme me separava da paisagem, protegendo-a de “intrusos” como eu. E uma enfermeira baixinha me alertou: a senhora não pode estar aqui, deixe-me ver o seu passe. Deus! Eu não tinha passe. Apresei-me em defensiva: - Vim ver meu sobrinho nenê que está hospitalizado. Estou substituindo sua mãe! Mas não sei o número do quarto... Ela me interrompeu: - Aqui não é a ala pediátrica! (putz, não sei por que menti, o Jow já tinha 23 anos). - Dirija-se ao balcão de informações!
Na sala de espera, refinada, mulheres aguardavam. Sentei-me ao lado da que estava tricotando procurando não chamar atenção, porém meus óculos caíram e todas me olharam em reprovação pelo ruído causado. Eu não sabia o que fazer nem ao certo onde estava ou qual a razão. Lembrei da minha casa em ruínas, dos meus filhos e em vão tentei voltar. Outra vez meu corpo estava pesado, travado, sem obedecer aos meus comandos. Angustia: os músculos estavam em câmara-lenta! Então um estrondo fez tremer o prédio: o vidro protetor do mar rompeu, a água inundava tudo...
Acordei!”
terça-feira, 28 de junho de 2011
ÂNIMO
Para vencer a inércia, a apatia, o abandono ou o conforto do nada fazer, o melhor é desenvolver sentimentos profundos que nos motivem a viver uma vida digna. Temos que mexer constantemente com o nosso orgulho, com o nosso brilho, com nossa honra, reputação, valentia. Isso é que nos dá grandeza pessoal (Julio Payot).
Quando a apatia se instala, decorrente de frustrações, de solidão e cansaço, esfumaçando a vontade e a esperança, nos fazendo duvidar de nossa própia capacidade de seguir e buscar alegria, só o AMOR nos tira desse abandono! E esse amor pode vir de um simples gesto como ser presenteada pelo filho que trás um delicioso café matinal na cama, o sorriso inocente e alvo de um bebê aconchegado nos nossos braços, o calor dos amigos que batem papo junto à nossa lareira, o abraço sincero e largo da mãe presente, o sol que ilumina a tarde fria de inverno. Há muitas formas de AMOR... Ele está ao nosso lado nas pequenas coisas e nos dá ânimo, nos abrem os olhos, os braços, o coração!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
AMAR
Amar é ter a lua e o sol no coração
É chorar e sorrir por pouco
Se dar por se dar
E querer por querer
Cada vez mais querer
Querer tudo outra vez
A cada vez
Toda a vez!
É chorar e sorrir por pouco
Se dar por se dar
E querer por querer
Cada vez mais querer
Querer tudo outra vez
A cada vez
Toda a vez!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
"Dia dos Namorados"
Quem diz muito que vai não vai
Assim como não vai, não vem
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém
Se não tivesse o amor Se não tivesse essa dor E se não tivesse o sofrer E se não tivesse o chorar Melhor era tudo se acabar ... Eu amei, amei demais O que sofri por causa do amor niguem sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que ninguem nunca teve mais Mais do que eu
(Vinícius de Moraes)
terça-feira, 24 de maio de 2011
Minha irmã é uma artista!
Éramos meninas ingênuas e cheias de sonhos. Dividíamos os mesmos quartos por anos. O mesmo pequeno ropeiro (que mais tarde alongou-se), os mesmos pingos de chuva no telhado de zinco a embalar nosso sono, as mesmas vozes aconchegantes que adentravam pela abertura da porta sem porta onde uma curtina leve abrigava nossa intimidade vulnerável.
Juntas "decorávamos" nosso pequeno mundo sem que eu me lembre de uma só discórdia. Bonecas disputando espaço com algum batom ou brinco em cima da cômoda antiga e enorme. Lembro como me eram pesadas e difíceis as três gavetas onde guardávamos nossas poucas roupas, sempre bagunçadas. Nas paredes fazíamos colagem de estampas de artistas famosos e belos, recortados das revistas "Cruzeiro", "Fatos e Fotos", "Contigo"... O mesmo gosto musical, as confidências sobre namoros platônicos, os anseios e curiosidades acerca de sexo. Assunto velado, tabu. Não havia informaçao! Ela sempre mais esperta e ligada me passava algumas que aprendera na escola, com as amigas, é claro! Apenas um ano e meio de diferença de idade e, no entanto foi, de certa forma, minha mãe-amiga. Diferença esta que por um curto tempo separou nossos interesses. Foi ela quem descobriu abismada que eu não enxergava de um olho, quando deitávamos com os pés pra cima (na parede) para apreciar nossos "artistas" e eu quis brincar de "adivinhar com o olho que vê menos"! Eu sempre mais "lenta" e pateta a imitei em algumas coisas. Com ela tive vontade de desenhar e de escrever. Eu os tenho ainda hoje, mal traçados. Os dela: perfeitos, feitos como se fosse uma brincadeira como mostra o vídeo do cubo (acima). Já era uma artista! Brincávamos na rua em frente ao sobrado ao cair da tarde: pega-pega, ovo-podre, polícia e ladrão, esconde-esconde. Os mais velhos sentados à porta descansando das tarefas do dia em uma roda de chimarrão. Televisão (que pegava muito mal) só em horário restrito. Entre uma brincadeira e outra com os amigos da rua eu me entristecia ao ver a pobrezinha da Lúcia debruçada na janela com seus longos cabelos negros e olhos redondos só nos observando: a avó não permitia que "suasse" depois do banho. E veio a surpresa: "fiquei moçinha", não podia mais correr como um moleque quando aconteciam "as regras". Então ela me explicou melhor a estória da "semetinha": - Haaa! Entendi! E começei a gostar de me enfeitar, dando mais atenção e tempo aos belos vestidos que a mãe costurava com dedicação e habilidade pra nós. Os meus sempre azuis, os dela, rosas. Íamos faceiras à missa nos domingos com a família (era praxe) e, enquanto a "Susi e o Blim-blim" ficavam mais tempo solitários, passeávamos no Centro, no cinema "Cisne" e na "Wiskeria". Ela tinha muitas amigas. Eu, tímida, as contava nos dedos e ficava enciumada por vezes, em especial no período em que ainda não tinha idade o suficiente para as "reuniões dançantes". Ela gostava de usar o que a vó chamava de "corpinho". Eu odiava, como ainda hoje. Me sinto "encilhada"!
Crescemos. Foi a primeira a saber de minha "primeira vez" e, mais tarde de minha primeira"sementinha". Me apoiou nas quedas, me xingou nos erros! Riu e chorou comigo. Eu "perua". Ela sofisticada. É verdadeira e íntegra, busca o que quer sem medir esforços. É leal e justa. Guerreira foi testada nas adversidades da vida e exclamou num misto de indignação e tristeza: "- A vida não está aí para os nossos quereres! " Ainda assim seguiu em frente, mais frágil, mas em frente! Artista, nem se dá conta que sua conduta inspira e me auxilia em ir em frente em minhas adversidades e teimar em dizer Sim quando a vida diz Não!
Obrigada!
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Trinta Anos "sem" Bob Marley
http://www.youtube.com/watch?v=wxYM3TxnjMs&feature=player_detailpage

"Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida". - Robert Nesta Marley, ícone do reagge que pregava a paz pelo mundo, a justiça social e a defesa dos oprimidos ainda hoje simboliza o protesto, a emancipação e a liberdade para muitos. De origem humilde nasceu em 06.05.1945 em um país pobre (Jamaica) e faleceu em 11.05.1981, em Miami (Flórida), vítima de um câncer, com apenas 36 anos. Foi adepto do rastafári, religião que mescla profecias bíblicas, filosofia naturalista e orgulho negro, tendo a maconha como parte da liturgia, que tanto contagiou sua música. Em 1976 teve de sair de seu país após sofrer um atentado, represália política às letras de suas músicas que denunciavam a pobreza, a exploração e a miséria. Casou-se com Rita Marley com quem teve quatro de seus doze filhos (dois deles adotados), os renomados Ziggy e Stephen Marley, que continuam o legado musical de seu pai na banda Melody Makers. Kymani Marley e Damian Marley (conhecido como Jr. Gong) também seguiram os passos do pai.
Em 1977 Bob soube que sofria de uma espécie de câncer de pele (melanoma maligno) que se desenvolveu sob sua unha do pé. Recomendado a ter o dedo amputado, recusou-se devido aos princípios rastafáris pelos quias "médicos são homens que enganam os ingênuos, fingindo ter o poder de curar". Além disto a amputação afetaria profundamente sua carreira e as apresentações justo na época em que se encontrava no auge e, assim, a doença foi mantida em segredo do público. O câncer espalhou-se para seu cérebro, pulmão e estômago e durante uma turnê no verão de 1980, em Nova York, decidiu ir para Munique para finalmente tratar-se com um especialista. Mas já era tarde! Após cerimônia digna de "chefe de estado", foi enterrado em Nine Mile, perto de sua cidade natal, com sua guitarra favorita, uma Fender Stratocaster vermelha.
Em 1977 Bob soube que sofria de uma espécie de câncer de pele (melanoma maligno) que se desenvolveu sob sua unha do pé. Recomendado a ter o dedo amputado, recusou-se devido aos princípios rastafáris pelos quias "médicos são homens que enganam os ingênuos, fingindo ter o poder de curar". Além disto a amputação afetaria profundamente sua carreira e as apresentações justo na época em que se encontrava no auge e, assim, a doença foi mantida em segredo do público. O câncer espalhou-se para seu cérebro, pulmão e estômago e durante uma turnê no verão de 1980, em Nova York, decidiu ir para Munique para finalmente tratar-se com um especialista. Mas já era tarde! Após cerimônia digna de "chefe de estado", foi enterrado em Nine Mile, perto de sua cidade natal, com sua guitarra favorita, uma Fender Stratocaster vermelha.
"Meus pés são minha única carruagem
Portanto, tenho que ir em frente
Mas quando eu estiver indo, eu quero dizer
Tudo ficará bem." (No woman no cry)
"Eu tenho muitos rios para atravessar,
Mas pareço não conseguir encontrar meu caminho para o outro lado.
Vagueando, estou perdido enquanto viajo ao longo
Dos penhascos brancos de Dover.
Muitos rios para cruzar, e é apenas minha força de vontade
Que me mantém vivo.
Eu tenho sido surrado, derrotado durante anos e
Eu meramente sobrevivo por causa de meu orgulho..."
(Many rivers to cross)
" Se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar. Por que amamos as coisas e usamos as pessoas!"
"Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre..."
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre..."
segunda-feira, 25 de abril de 2011
FILHOS SÃO DO MUNDO
Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.
Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.
Isto mesmo!
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.
Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.
Isto mesmo!
Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então, de quem são nossos filhos?
Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente. E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!
Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente. E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!
Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo!
Mas é. Eles são do mundo.
O problema é que meu coração já é deles. É a mais concreta realidade.
Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!
"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver " (José Saramago)
Mas é. Eles são do mundo.
O problema é que meu coração já é deles. É a mais concreta realidade.
Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!
"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver " (José Saramago)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Porto Alegre
As pessoas andam pelo Centro da cidade quase alheias as belezas que as rodeiam. Algumas me olham um pouco espantadas ao me perceberem andando com a cabeça e o olhar ao alto, outras (poucas) buscam ver o que estou mirando. É engraçado... Outro dia não me contive e "cliquei" algumas passagens...
A praça da Matriz é linda com a Igreja ao fundo...
Na Rua do Correio do Povo o "esqueleto" de um antigo prédio me impressiona...
Estava anoitecendo mas a visão do prédio entre as árvores da praça do Rosário me enfeitiçou. Aos meus amigos profissionais peço humildes desculpas pela audácia em postar o resultado de pouca qualidade em decorrência do equipamento: um celular! Os "motivos" mereciam"
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Rainha do Mar
Embora no sul, onde as praias são planas, o vento sopra insistente, as águas são frias e nada cristalinas, Rainha do Mar é linda! Ainda é erma e oferece momentos de paz e beleza ímpares aos que sabem Ver e Apreciar o encantamento da natureza. O perfume salgado do fim do dia e as cores empalidecendo lentamente trazem as elegantes gaivotas, pesqueiras de bico longo. Elas não se intimidam com minha presença. Ficam a uma distância razoável entre o mirar o mar, bicar na areia e alçar vôos razantes próximos ao pescador solitário. Me olham de quando em quando, alongando-se como se posando altivas para a foto. O sorriso me sai espontãneo. Minha alma inunda-se de mansidão! E continuo a caminhada...
E vejo que outros também se deleitam com o presente gratuito e mágico. Disfarço o quanto posso ao bisbiliotar fotograficamente suas privacidades...
Contemplo mais um pouco, sentada em uma pedra. A noite já vem. Devo voltar!
E a volta me premia com alguma luz ainda batendo morna nas flores do caminho...
Chego em casa, me olho no espelho e me vejo leve.
É bom viver!
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